As “sacudidas da vida” e meu encontro com a fotografia…

(Por Érica Catarina Pontes)

Minha primeira formação foi em Biologia porém nunca atuei na área (eu gostava mas sentia q isto não era exatamente a minha praia, mas tb não sabia o que era), fiquei anos em trabalhos burocráticos rotineiros que nunca me fizeram feliz de verdade, sempre faltava algo ou alguma coisa, mas precisava trabalhar então continuava lá sendo infeliz e descontando minhas frustrações em outras coisas…

E aí a vida veio e me “sacudiu” pela primeira vez:
Tive Síndrome do Pânico, era um medo inexplicável que desencadeava uma série de sintomas e acabava com uma boa visita ao Pronto Socorro… Foram inúmeras vezes até eu não conseguir mais ir trabalhar, me afastei e começou minha jornada por psiquiatras, remédios, terapia (nesta época fui a terapia meio que “forçada” pois eu não melhorava só com remédio)… E a vida me sacudiu pela primeira vez… Em 2009 tomei coragem e me desliguei da empresa onde trabalhava, com o dinheiro da rescisão comprei minha primeira máquina e iniciei os cursos em fotografia.

Aqui foi só o começo da jornada, ainda trabalhei com outras coisas e testei outras possibilidades antes de entrar na fotografia…

E a vida veio e me “sacudiu” pela segunda vez:
Após outras tentativas “frustradas” de trabalho, em 2010 a fotografia se tornou minha profissão, de início não sabia exatamente o que estava fazendo e achava que não ia conseguir, estava perdida dentro de um mar de imagens da era moderna. Não venho de uma uma família de artistas que pudesse me compreender (rs), nem tinha ninguém da fotografia para me apoiar, nem tinha “patrocínio” (rs) e muito menos dinheiro suficiente pra investir em equipamentos caros, desta forma grande parte das pessoas (inclusive eu) achava que minha “festa da fotografia” iria acabar no primeiro ano, mas de novo a vida veio e me sacudiu… e no final de 2010 ganhei meu primeiro prêmio fotográfico, como se fosse “alguém” dizendo: “Não desista, siga em frente !”… Meio que aos “trancos e barrancos” eu obedeci e segui em frente…

E a “danada da vida” me “chacoalhou” pela terceira vez:
Em 2011 estava feliz pq tinha encontrado minha profissão, mas ainda era incapaz de reconhecer isto totalmente, vivia me comparando com outras pessoas da área, sempre achando todo mundo super bem sucedido e eu uma “ferrada” (rs), me importando muito com todas as criticas (principalmente das criticas feitas por quem eu achava q estava ao meu lado), de forma que tudo isto me deixava cada vez mais pessimista com meu trabalho e comigo mesma, até entrar em depressão, a sensação é de que eu andava ao redor do buraco o tempo inteiro até que me empurraram e eu cai de cabeça dentro dele (eu ainda tinha a ilusão que quem me ajudou a cair no buraco fosse me ajudar mas  ajudou foi a piorar a situação), era uma tristeza tão grande que chegava a doer fisicamente, pensei em desistir de tudo, me bloqueei a ponto de não conseguir mais fotografar, só chorava e queria dormir pra não acordar nunca mais… E la fui eu novamente com meus “caquinhos” em busca de ajuda (agora por minha própria vontade, o que fez muita diferença), de volta ao consultório terapêutico (De 2011 até hoje estou envolvida em um longo processo de autoconhecimento)… e mais uma vez (por incrível que pareça) a vida veio e me deu, um chacoalhão, ao final de 2011 ganhei meu segundo prêmio em fotografia (juro q por esta eu não esperava).

Depois de tudo isso, cheguei a conclusão que a vida já está cansada de me sacudir e eu cansada de desobedecê-la…  Desde a “terceira sacudida” pra cá venho me dedicado ao autoconhecimento através da terapia (Lúcia e Dora que o digam…rs) e posso dizer que foi uma das melhores viagens que eu poderia ter me lançado, pois abriu meu campo de visão e me desbloqueou para o lado artístico. Por muito tempo fiquei tentando “me enquadrar” em alguma área da fotografia, fiquei insistindo em achar minha turma e só tive decepções e falta de apoio. Agora fotografo do meu jeito, mostro o meu mundo, a minha visão, a visão do outro, a minha imaginação criativa, sou fotógrafa, sou artista, sou o que me permitir ser…. vou até onde minha imaginação e sensibilidade deixar e não procuro mais me “enquadrar ” em nada, nem ficar “forçando” uma barra (a minha barra…rs) pra participar de turma alguma, sou o que sou e minha fotografia fala por mim mesma, então sigo sozinha e acredito que as pessoas boas e em mesma sintonia irão se aproximar.

Fotografia é minha respiração, transpiração e estilo de vida, a inspiração vem de dentro, não tem fórmula mágica, nem mapa da mina, não tem como copiar o que se passa dentro de cada um e cada pessoa tem que trilhar o seu próprio caminho, alguns chegam mais rápido outros demoram mais (meu caso), mas o importante é conseguir viver através daquilo que realmente se ama fazer, de nada adianta ter seu salário no fim do mês garantido se vc não se reconhece no que faz e não é feliz.

A vida não é fácil e cada um sabe das suas dificuldades (eu ainda batalho dia a dia pelo reconhecimento) mas o que não se pode fazer é “soterrar” sua intuição e deixar de atender aos “chamados” e dicas que a vida dá, não vou mentir, os obstáculos são inúmeros, muitas vezes eu desanimo, mas dificuldades irão existir sempre, a cada degrau que se sobe existirá um novo desafio que temos que enfrentar e certamente eu teria encurtado um pouco do caminho se não tivesse lutado tanto contra o meu “chamado interior”.

Confesso não sou boa com demandas de clientes e cada vez q alguém me pergunta “E aí, como vai o trabalho?” Eu meço isto pelo esforço q eu dedico ao que gosto e pela quantidade de projetos que consigo criar e desenvolver e não pela quantidade de dinheiro que entrou na minha conta, talvez por isso eu continue sendo uma eterna “duranga”…rs Mas apesar de não ganhar “rios de dinheiro” e não ter uma cartela enorme de clientes sou feliz pois faço o que gosto e de forma que eu consiga ter tempo para criar e atender cada cliente com toda minha inspiração e ainda consiga manter um “pouquinho de sanidade” (rs). Acredito que felicidade não é medida pela conta bancária, nem pelo status na sociedade ou por quantos bens materiais se adquiriu, isto tudo vai virar pó quando a gente parar de respirar, felicidade é o que nos toca,  é o que faz vc não desistir apesar dos inúmeros obstáculos é conseguir se dedicar ao que gosta e manter aquele brilho nos olhos mesmo com as “sacudidas que a vida nos dá”.

2012.08.18_Cerimônia e Recepção-2

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8 comentários em “As “sacudidas da vida” e meu encontro com a fotografia…

  1. Adorei seu texto! Quero ratificar que além de grande fotógrafa, v. escreve muito bem! Taí mais uma coisa que algum momento v. possa se dedicar! 🙂 ..Beijoks Lidiane

    1. Lidi, vc tem um site ?!??!?! Vou fuçar ! hehehehe

      O texto ficou enorme, queria resumir mas não teve jeito, obrigada pela paciência de ler. 🙂

      Quem sabe um dia me dedique a escrita tb, não descarto mais nenhuma possibilidade, hoje acredito que todas as artes caminham juntas ou lado a lado…

      Beijocas

      1. Se tivesse resumido o texto deixaria de ser “perfeito”! Sem tirar, nem pôr, seu “desabafo” é isso: uma linda e perfeita “ode” à vida! Rsss!
        Além disso Princesinha, no meio de muita emoção durante a leitura, descobri algo impressionante: que nossas vidas tiveram, até certo ponto, caminhos praticamente idênticos! Rssss!
        A diferença é que eu ainda preciso me “libertar” e descobrir o novo e fantástico mundo de Galego…. Rsss!
        Bjão e obrigado por esse momento maravilhoso de reflexão!

        1. Fico feliz q apesar do texto ter ficado “grande” tenha provocado um momento de reflexão em cada um.

          Olha, vou te dizer q hoje agradeço aos meus pontos de “crise”, pq graças a eles mergulhei no “mundo maravilhoso de Érica” (muito parecido com o mundo de Bob mesmo… ahahahah) e agora consigo me aceitar melhor, antes eu achava q era “a estranha no ninho” e ficava querendo me adaptar ao mundo dos “todos iguais”… kkkkkkkk

          Galego, Beijocas e obrigada pela leitura e pelo recado ! AMEI ! 🙂

    2. Acho que a vida nunca se orgulhou tanto em não desistir de sacudir alguém…. Talento, força de vontade, inspiração tudo isso vc tem (isso é inquestionavel pra quem conhece teu trabalho), mais como sempre te digo : foi o amor que te tocou para que estas sacudidas todas não fizessem vc desistir desta felicidade … Vc se encontrou na fotografia, e agente se encontra cada vez que vê suas fotos e se acha um pouco nelas, que participa dos teus projetos direta ou indiretamente, rsrsrs…… Amiga mesmo não podendo te falar isso a cada foto sua que vejo, a cada tapa na cara que vc. dá em quem não acreditou no seu trabalho, a cada projeto lançado saiba que meu peito se enche de orgulho de ter uma pequena grande amiga tão talentosa…… E que os psiquiatras continuem a nos deixar nada normais…. adoro… bjossss !!!! Bibi

      1. Ahahahahahahhaha deixar nada normais foi ótimo !!!

        Ainda bem que mesmo Biologia não tendo se tornado nossa profissão, nos deu a oportunidade de viver bons momentos e fazer grandes amigas !!! TE AMO !!! E obrigada pelo apoio moral, que sempre ajuga muito !

        Beijocas

  2. Diante de tudo o que passou e do que conseguiu produzir a partir disso, só posso aplaudir! Ver uma mulher que sabe lidar com seus dramas com criatividade e arte é uma verdadeira inspiração! Parabéns Érica e continue perdendo o fôlego com o que você ama fazer, pois é isso que nos faz viver!

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