A luz de um fotógrafo vem com ele. É a luz da sua vida…

“Minha escola não é fotojornalismo. Eu conto uma história inteira por meio do trabalho fotográfico, então isso me consome tempo e energia. A minha fotografia tem um caráter simbólico. No momento em que você faz uma intervenção, muitas coisas são anteriores.

A luz de um fotógrafo vem com ele. É a luz da sua vida. Nasci no Vale do Rio Doce (Minas Gerais), uma região montanhosa com raios de luz – e eu sozinho, menino, no fundo da fazenda do meu pai. E isso eu carrego comigo. Eu sempre fui muito claro e andava pela sombra. Então tudo o que vinha para mim vinha contra a luz. Essa poesia da contraluz está dentro de mim, intuitivamente.

O fotógrafo de estúdio fabrica a luz. Sou um fotógrafo do lado de fora, que fotografa a luz natural, domino essas luzes, eu sei o momento em que corro atrás delas e combinam. No instante em que você tira uma foto, não há tempo para pensar em composição, diagonal, na luz, na dinâmica. Isso é intrínseco. Por isso muita gente usa câmara, mas poucos são fotógrafos. Luz, composição, são as constantes. Depois vêm as variáveis: a ideologia – o conjunto de coisas que você viveu, sua ética, suas escolhas. Nenhuma fotografia é objetiva. Ao contrário, é subjetiva.”

(Sebastião Salgado)

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